Vidas Exemplares - António José dos Santos

António José dos Santos é, com o seu irmão gémeo José António, um dos maiores empresários da quase milenar História de Portugal. Transformou o negócio das aves, e depois das rações, numa indústria de ponta e contribuiu para a mudança de hábitos das famílias, o bacalhau foi substituído pelo frango assado muito graças à visão e ao investimento feito por estes dois homens. Contudo, não estamos a fazer a história da Valouro, mas sim a do seu papel na Caixa de Crédito Agrícola de Torres Vedras onde esteve 33 anos e cinco meses. Em 1989, quando aceitou o desafio de amigos desesperançados, nem sabia onde ficava o banco. António Maria de Sousa, grande figura de Torres Vedras, e seu amigo de sempre, falou-lhe ao coração. Salvar a Caixa de Torres, instituição fundada em 1915, era um desafio à sua altura, um sacrifício em nome da terra e do povo. E se ele o fizera com o Torreense, salvando o clube de fechar as portas, mais importante seria não deixar cair o sonho de centenas de pessoas que confiavam as suas poupanças e sonhos à Caixa. Tudo se resolveu num almoço no Pão Saloio. António Maria de Sousa e José Agostinho brindaram com o industrial e tudo ficou decidido sem necessidade de assinaturas.

António José aceitou ir à assembleia-geral de onde saiu presidente… centenas de torrienses entupiram a avenida no dia da votação para que nada falhasse. As contas estavam por um fio, temia-se uma corrida definitiva aos depósitos e os nove trabalhadores, contando com uma empregada de limpeza, já tinham começado a procurar um novo emprego. Passo a passo, dia a dia, as coisas foram-se compondo. António José converteu uma dívida de um cliente numa oportunidade e comprou uma nova sede que permitiu ganhar duas primeiras batalhas, a da dignidade e a da ambição. A Caixa de Torres nunca mais deixou de crescer, nos depósitos e na influência, antes e depois do seu presidente ter decidido tornar-se independente da Caixa Central.

Tem o seu império para gerir, mas nos primeiros tempos entra na Caixa de corpo inteiro. Fala com clientes, reúne com o Banco de Portugal, coloca objetivos e vai ao ponto de dirigir as obras na sede. O crescimento é acelerado e António José, filho de um pai e de uma mãe que trabalharam duramente nos campos da Marteleira, a mãe na mercearia e o pai com as galinhas, o António José dos Santos que, aos 14 anos, com o irmão gémeo, foi trabalhar com os tios até ir para a tropa, o António que deixou de ir à escola na adolescência e que desconta para o Estado há mais de setenta anos, o seu maior orgulho, pôde ficar de consciência absolutamente tranquila.

Muitas estórias poderíamos contar, uma delas é imperdível. Um par de anos depois de entrar, em 1991, um regime jurídico ameaçou a sua continuidade. Quem dirigisse empresas no setor agrícola não podia exercer a liderança de uma Caixa Agrícola. O governador do BdP era Tavares Moreira com quem António José construiu uma enorme proximidade, curiosamente aproximam-se num outro almoço, no Turcifal, um cherne cozinhado apenas com sal grosso, divinal. Alterou-se o princípio do regime jurídico para que António José, mas também o seu irmão, na Lourinhã, pudesse terminar o que começara.


Mas regressemos a um dos momentos políticos mais importantes da história da Caixa de Torres Vedras, a saída da Caixa Central. Para o presidente torna-se claro que o cooperativismo não pode ser desvirtuado, era um absurdo que a sua Caixa fosse governada a partir de Lisboa por gestores com objetivos e interesses diferentes da máxima do banco do povo e para o povo. Não lhe fazia sentido ter lucros e perdê-los sem qualquer contrapartida. A Caixa torna-se independente, até hoje. É um processo de saída longo e que diz tudo sobre o seu caráter. Entre o momento de "pôr os papéis" para o divórcio e o da saída passaram-se três anos em que foi diariamente pressionado a ficar, sem qualquer resultado. A Caixa de Torres tornou-se independente em 2001.

António José dos Santos saiu 33 anos depois daquele almoço com dois amigos de Torres Vedras. Foi a primeira Caixa a chegar aos 100 milhões de capitais próprios e é maior caixa do país a operar apenas num único concelho. Com a saída do hoje presidente emérito ficou no seu lugar Manuel Guerreiro, advogado que, muito jovem, logo na década de 1990, foi chamado a resolver todas as pendências jurídicas de uma instituição financeira em crescimento. Tornaram-se muito próximos, na Caixa e em tudo o resto, a escolha era óbvia e o seu pedido ao delfim também: o de se livrar de não melhorar os resultados. O que foi conseguido. Em 2025, a Caixa Agrícola de Torres Vedras apresentou os seus melhores resultados em 111 anos. Realmente, todos as pessoas falham e perdem, mas há sempre quem falhe e perca menos do que os outros. António José dos Santos está nesse grupo de eleitos.

Associados
Protocolos / Parcerias
SEDE
Caixa de Crédito de Leiria
EDÍFICIO SEDE

Largo Cândido dos Reis

19 a 25 - Leiria

CONTACTOS
244 848 000
Chamada para rede fixa nacional
Receber notificação

Irá receber uma notificação quando este produto estiver disponível

Ocorreu um erro ao registar o pedido de notificação

Pedido de notificação já está registado

NOTÁMOS QUE TEM PRODUTOS NO SEU CARRINHO

Pode guardar o seu carrinho registando-se ou efetuando login.

CONFIGURAÇÃO DE COOKIES
NECESSÁRIO
Os cookies necessários ajudam a tornar um site utilizável, permitindo funções básicas como navegação na página e acesso a áreas seguras do site. O site não pode funcionar corretamente sem esses cookies.
ESTATÍSTICAS
Os cookies estatísticos ajudam os proprietários de sites a entender como os visitantes interagem com os sites recolhendo e relatando informações anonimamente.
GUARDAR