Vidas Exemplares - Marciana Rego

Marciana Rego
A mulher que foi pioneira da banca nos Açores 
Caixa Agrícola Açores

Sempre que Marciana Rego pensa na sua vida, sempre que faz balanços ou contas entre o deve e o haver do seu percurso, chega à mesma conclusão: a Caixa Agrícola dos Açores determinou quase tudo o que conquistou profissionalmente. Na verdade, nunca considerou ter um emprego. Para ela, desde o primeiro minuto, era de um projeto que se tratava e um projeto nunca está acabado. Tinha horas para entrar, mas para sair sempre foi mais complicado, saía quando podia, por vezes esquecia-se até de que precisava de descansar. Até no fim de semana. Ganhavam todos: a Caixa, as pessoas, os Açores e ela. Sentia-se realizada a ajudar os outros.

Marciana nasceu em 1949, filha mais nova de uma família com oito irmãos muito bem distribuídos, quatro rapazes e quatro raparigas. Nasceu na freguesia das Capelas, na ilha maior de São Miguel. A sua família era grande, alegre e próspera. Teve uma boa infância, com brincadeiras, devoção a Deus e ao Espírito Santo, e liberdade. Uma liberdade que sempre usou para fazer o que lhe foi apetecendo em cada momento, mais do que aquilo que os outros achavam ser o melhor para ela. Não se casou, não teve filhos e dedicou-se à Caixa, a primeira mulher nos Açores a trabalhar num banco. O pai, Mariano, era comerciante e dono de várias mercearias, um empreendedor. Tantos anos depois da partida dos pais, continua a agradecer-lhes a oportunidade de ter pensado sempre pela sua cabeça.

A Caixa de Crédito Agrícola de Ponta Delgada era uma pequena instituição, com cinco funcionários. Toda a gente se conhecia e em 1970, no final do liceu, Marciana candidata-se a trabalhar na Caixa. Não esperava entrar por ser mulher, mas entrou para surpresa de alguns. Durante muitos anos foi a única mulher a trabalhar num banco e nunca se sentiu inferior, pelo contrário.

Começou por trabalhar ao balcão, mas fazia um pouco de tudo. Especializou-se na contabilidade, subiu a gerente e, por fim, assumiu um lugar na direção.

A agricultura e a lavoura eram importantes para a região, um peso decisivo para a economia dos Açores, mas as ilhas eram o que eram - a mobilidade tornava-se um exercício de enorme complexidade e os trabalhadores reivindicavam a criação de novas caixas agrícolas para apoiar os seus negócios. Novas caixas foram abrindo e em sete das nove ilhas nasceram caixas autónomas e pequenas. A dimensão de Ponta Delgada não se compara às concorrentes, Marciana lidera o processo de fusões que, a partir de certa altura, se torna uma necessidade.

As caixas de Crédito Agrícola são tuteladas pela Caixa Geral de Depósitos, as inspeções eram frequentes e ela começa a ser notada e apreciada pelo seu profissionalismo e ousadia. É convidada para trabalhar na Caixa Geral de Depósitos, mas Marciana não aceita. Comprometera-se para a vida com a sua Caixa de Crédito Agrícola, um casamento indissolúvel.

Voltemos ao processo de fusões que durou vários anos, um processo que em alguns casos foi particularmente trabalhoso. Após um longo período de negociações com várias pequenas instituições nasceu a Caixa de Crédito Agrícola dos Açores. Marciana gosta de recordar o momento da escritura em 1993, um momento simbólico de união e força, um dos dias mais felizes da sua vida profissional. Mais de dez caixas em sete das ilhas tinham, por fim, aceitado pertencer a uma única instituição liderada por Marciana Rego. Os funcionários passaram a usufruir de regalias que apenas existiam em Ponta Delgada. A instituição ganhou cota de mercado e ela respeitabilidade e influência.

A Caixa dos Açores manteve sempre contacto com as caixas do continente. Isso ofereceu-lhe mundo e conhecimento. Marciana levou para a vida a amizade com muitas pessoas, as conversas, as reuniões, a generosidade e a convicção com que se batia pelas ideias. E levou também para a vida os avanços e recuos na relação com o Governo Regional, uma relação que sempre cultivou na base de que o melhor para um seria sempre o melhor para outro.

Um dos pontos que sempre defendeu foi a autonomia e não se arrepende de nada, fez o melhor que sabia e podia. Olha para os edifícios e vê um bocadinho de si em cada um dos 18 balcões distribuídos pelas nove ilhas, vê um bocadinho de si em cada um dos 120 colaboradores.

Marciana é uma mulher religiosa, praticante, devota do Santo Cristo. Faz voluntariado na Cáritas. E continua onde esteve sempre: ao serviço das pessoas. Só não lhe peçam para ficar de braços cruzados.

Associados
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SEDE
Caixa de Crédito de Leiria
EDÍFICIO SEDE

Largo Cândido dos Reis

19 a 25 - Leiria

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